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Carlos Quiroga entrevistado para Biblos por Carla Amado sobre Raizes de Pessoa na Galiza

"Pessoa nunca viajou fisicamente à Galiza, mas para ele a melhor maneira de viajar era sentir", afirma


O livro foi publicado pela editora Através e intitula-se: Raízes de Pessoa na Galiza.
–O leitor consegue facilmente perceber porque dedicaste o livro ao filólogo Manuel Rodrigues Lapa (investigador pessoano português bastante conhecido que, depois de ter apoiado um tal de Merelim - pseudónimo do militar e historiador Joaquim Gomes da Cunha (1913-2002) no seu estudo sobre a vida de Fernando Pessoa nos Açores, prometeu vir a fazer um estudo sobre as origens galegas do poeta). No entanto, acabas por não revelar ao leitor se conheceste Rodrigues Lapa pessoalmente e nem o porquê de teres tomado como tua essa lacuna aberta no trabalho de Rodrigues Lapa. Sei que o liga à Galiza a publicação Estudos galego-portugueses. Por uma Galiza renovada (Lisboa, Sá da Costa, 1979), causa da qual terá sido sempre um acérrimo defensor. Quais foram, então, as tuas motivações para este estudo?
–Não conheci Lapa pessoalmente. Comecei a admirá-lo a partir do livro que mencionas e ele morreu em 1989. Mas aquele que intitulara Grial 4 como "galego Honoris Causa" pensou fazer um estudo parecido ao da primeira parte do meu livro. Comprovar que não conseguiu, estorvado por certo galeguismo amansado que se atirou a ele pela opinião ortográfica, sugeriu-me essa espécie de reparação póstuma. Lapa foi o maior valedor português da Galiza que esta nunca teve em Portugal, Cavaleiro da Causa Galega, algo que também me deslumbra ainda nas cartas inéditas que o seu discípulo José Luís Rodríguez conserva, para além de muitos outros trabalhos e desvelos num empenhamento continuado pela Galiza e pelo galego.
–Acreditas que Fernando Pessoa possa alguma vez ter vindo à Galiza? Sabe-se que precisamente o primeiro terço do século XX foi muito intenso no que toca às relações culturais, económicas entre Portugal e a Galiza (sobretudo com Vigo) - Irmandades da Fala (1916-1929); Semana Portuguesa da Galiza (1929) e Semana Portuguesa de Vigo (1933). As referências de Caeiro a Vigo, a amizade com o originário galego Alfredo Pedro Guisado (1891-1975), o restaurante de galegos em Lisboa Irmãos Unidos. Parece quase impossível que Pessoa nunca tenha vindo à Galiza.
–Não. Pessoa nunca viajou fisicamente à Galiza e já sabemos bastante para assegurá-lo. Mas às vezes para ele "a melhor maneira de viajar é sentir". Pessoa esteve deste modo em Vigo, entrevistando Caeiro, em conversa com ele ao jantar na sala de um hotel, com vistas à baía. A entrevista ficou na Arca e foi publicada por Teresa Rita Lopes em 1993. Depois, entranhado nos tempos de maior intimidade com Alfredo Pedro Guisado, viajou em cartas para este e em pensamentos remotos. Sem entrar agora nas aproximações intelectuais que lhe tenha dedicado à Galiza no quadro de um iberismo que na altura também se discutia.
– Aprofundaste bastante o mistério em torno do artigo sobre Orpheu publicado num tal Jornal de Vigo com as iniciais R.R., mas não conseguiste, infelizmente, decifrá-lo na totalidade. Pensas que, quanto a isso, ainda há algum fio do novelo que possas puxar?
–No livro apresento como probabilidade, mas estou seguro que é do próprio Pessoa. Tem que ser um dos artigos entregues a Enrique Dieste, de que Pessoa deixa registo escrito, para publicar "em jornais espanhóis". Confirmam conteúdo e estilística do texto. O mais velho dos Dieste, retornados à Galiza e de mãe portuguesa, teria feito a tradução. O "jornal de Vigo", que anotou Sá Carneiro no recorte colado ao caderno em que os colecionava as resenhas, é o que não consegui achar fisicamente apesar de intensa procura. O exemplar, com mais de um século de antiguidade, pode ainda aparecer...? É possível.
–Partilhas no livro algo que te disse alguém no Arquivo de Santiago de Compostela: “O que se pode concluir é que todos somos parentes”. É, de facto, especial que grandes nomes da literatura portuguesa estejam, de alguma maneira, ligados à Galiza. (A verdade é que todos, os portugueses, estaremos sempre ligados à Galiza. Nasceu aqui a nossa língua mater.) Que outros mistérios relacionarão escritores portugueses com a Galiza? Sei que as origens de Camões são outro tema que te tem inquietado. Haverá possibilidade de obter algumas respostas considerando a cronologia e geografia da vida do poeta maior da língua portuguesa? Que outros nomes acharias interessante investigar no que à Galiza diz respeito?
–O homem do Arquivo Histórico Diocesano estava no certo: se recuamos no tempo a breve história da Humanidade afunila-se. Mas quando se trata de um John Lennon ou similares parece que tudo interessa. E Fernando Pessoa é um dos grandes santos da galeria literária no cânone ocidental. Durante anos fui recolhendo em Portugal respostas sarcásticas quando aludia origens (também) galegas na ascendência. Algo que Pessoa sabia e menciona. Camões já parece assumido, ainda que talvez não se possa documentar de maneira tão irrefutável como se apresenta para Pessoa. Há outros autores com grandes possibilidades e tenho, já, provas documentais exaustivas sobre outro nome maior da língua portuguesa. Mas nem quero encasular-me no campo genealógico nem quero provocar indigestão aos portugueses –que ainda começam a digerir o de Pessoa...!
–E agora uma última pergunta. Como é ter um irmão gémeo, cujo percurso profissional é tão idêntico ao nosso? (Xabier Quiroga é também filólogo, professor e escritor).
–Tem os seus prós e os seus contras na infância-adolescência e estabelece uma proximidade-distância especial. Acredito que nunca teremos diferença alguma no que divide outros irmãos em assuntos de família e sempre haverá cordialidade entre nós. Com tal que não falemos sobre consciência ou inconsciência na escrita da língua! Mas essa discussão seria igual de pertinente com qualquer professor de galego de secundária, por onde eu também passei e por isso sei como é difícil aí tender para o possível ao tempo que adaptar-se ao real. Eu tendo mais para o possível, ele segue o seu percurso adaptando-se ao real. Celebro que lhe corra bem com os livros, mas coloco nessa parte o mesmo pouco entusiasmo que me suscitam outros nomes que aprecio no plano pessoal, não intelectual ou literário, porque a agonia do galego merece outra lucidez e arrojo. Por isso evito falar com ele de língua e literatura. Pena porque no resto nada nos separa e seria fantástico ter aí cumplicidades.


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